Monday, October 02, 2006

Uma nova esperança.



Lula e eu.
Lula e os brasileiros.
Quem vê o (nosso?) presidente hoje, certamente vê a decepção velada em seu discurso cosmético.
Sim, presidente, neste ano de eleição, mais uma vez a esperança venceu o medo: o medo de ter seu sigilo vilipendiado pelo poder do Estado como no caso do humilde caseiro Francenildo, o medo de ter sua vida devassada como no caso dos dôssies, o medo de se ver coibida a liberdade de imprensa, o medo de se ver a Constituição convinientemente reformulada, o medo da chantagem social do bolsa-voto.
Medo. "People should not be afraid of their governments". Acho que o coordenador da campanha do presidente não assistiu nem leu "V for vendetta". Imagino que nem o CD de Fagner tenha ouvido, embora o tenha criticado.
O espírito BigBrother-sebastianista do discurso do presidente não colou mais na maioria dos Brasileiros. Tenho certeza que, mesmo com o 1% do PIB (sim...) gasto na última semana de eleição Brasil afora, neste segundo turno, a crença em um Brasil mais autêntico, capaz, moralmente forte vencerá.

Só me resta deixar uma mensagem de esperança para o nosso presidente.
O Brasil estaria melhor sem ele nos próximos quatro anos.
Só cabe ao voto decidir.

E para não terminar com um tom descortês, deixo uma mensagem de esperança, que cada mensaleiro, cada sanguessuga, cada roupa pendurada no cabide de emprego, cada Vedoin, cada Valdomiro, cada Dirceu, cada Palocci (...) cantará de alto em bom som:

Face against the ground
Torn, but you can stand
Your will is strong, but you have now
I know you can save us

Faith is on your side
Fears you can’t deny
It’s burned a hole, right through your soul
But I know you can save us
Save us now

Save Us (Feeder)

Don’t say goodbye
I know you can save us
Don’t wave goodbye
But nothing can brake us
Don’t say goodbye
I know you can save us
You can bring us back again

Born to be as one
Turn to face the sun
Your will is strong, but you have now
I know you can save us
Save us now

Don’t say goodbye
I know you can save us
Don’t wave goodbye
But nothing can brake us
Don’t say goodbye
I know you can save us
You can bring us back again
You can bring us back again

Face against the ground
Torn, but you can stand
Your will is strong, but you have now
I know you can save us

Don’t say goodbye
I know you can save us
Don’t wave goodbye
But nothing can brake us
Don’t say goodbye
I know you can save us
You can bring us back again

Don’t say goodbye
I know you can save us
Don’t wave goodbye
But nothing can brake us
Don’t say goodbye
I know you can save us
You can bring us back again
You can bring us back again

Thursday, September 21, 2006

Uma gota de sangue em cada dossiê.



Deve haver um dossiê contra cada pessoa deste país.
Se não, manda-se providenciar um rapidamente.
Lulismos à parte, não houve nenhum governo na história deste país no qual dossiês tornaram-se cada vez mais banais.
Hoje não precisa mais documentos sigilosos, maracutais veladas ou trambiques sofisticados descobertos por causa do primo do avô de consideração do gordinho careca assessor do digníssimo deputado, por sua vez apadrinhado político de eminente senador da tradicional familia acreana, desbravadora do norte deste país, que fora por sua vez jogada no mundo da política por influência de um parente distante, farropilha de aspiração, ex-quilombola, fruto de um relacionamento proibido de um senhor de engenho com uma índia, cativa de uma pequeno latifúndio na ilha de Itamaracá.
Hoje, com esse rouba lá para dar cá por um mero devaneio de uma revista, ou por uma vontade utilitária de um nobre deputado, acusa-se e condena-se ou absolve-se num passe de mágica (que aliás, vem sendo bastante freqüente na política brasileira: Abra-ca-dabra dinheiro na cueca).
Daí um sentimento triste vem surgindo na população brasileira: a indiferença do crime, a tola generalização de que ladrão por ladrão escolha-se o operário.
Reajo com perplexidade a essa indiferença da população, mas comprendo a cômoda perspectiva do assistencialismo exagerado e chavista que vem ocorrendo Brasil afora. No mesmo ano que Regina Duarte disse que tinha medo, Paloma Duarte disse que a esperança tinha vencido o medo. Hoje acho que a conformidade vencerá as eleições.
E não quero omitir que a principal razão disto tudo é justamente a pouca alternativa encontrada nos políticos da oposição brasileira. Uma old-politk que sistematicamente roubou e nunca apurou. Mas acho que o melhor para o Brasil no momento é uma alternância de poder. Para não fazer do PT mais uma oligarquia mafiosa deste país: por enquanto tem apenas pequenas quadrilhas operando em seu diretório nacional... coisa evidentemente velada para os seus expoentes eleitorais.

Já que é moda, que meu dossiê seja feito por algum escritor bom. Já que a vacuosidade das informações serão evidentes, que pelo menos meus algozes tenham uma boa leitura!

Tuesday, September 19, 2006

Existirmos a que será que se destina?



Existirmos: a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina


Tomemos uma cajuína. Saudemos as novas ambulâncias das teresinas. Os nematoídes congressistas, seus futuros, melhor os iluminam. A lágrima nordestina, já seca, comprada, não turva, chora. O país pouco nos ilumina. O vexame, mensalão, dia-a-dia: carnificina. Mataram as rosas pequeninas. Foram os eternos homens feios. Em vez de votos de luto para o Brasil, dão o trabalhador voto vendido. Ainda estes, com todo acaso e ocaso da sina, matam, devoram, devastam uma última pétala, um último gole, da já ida cajuína.

Nesse Brasil, a bela poesia vem dando lugar a tanto quanto ridícula prosa.



Tuesday, September 12, 2006

Primeiro post do semestre.


Há tempos não passava por aqui.
Para falar a verdade, poucas foram as coisas que aconteceram no mundo desde de junho que poderiam me motivar a escrever algo verdadeiramente interessante e que já não fosse batido o suficiente.
Resolvi escrever uns 'quickies' sobre alguns acontecimentos dos últimos meses que passaram batidos:

Copa do Mundo: Minha mãe sempre me disse: 'meu filho, você não pode imaginar o estrago que uma meia furada pode fazer para uma mulher em eventos sociais...'. A tal meia de Roberto Carlos talvez tenha sido a menos culpada da vergonhosa c(h)ampanha brasileira na copa do mundo. Muita bebida, mulher e pouco gol. Muitas Zagalices e Parreirices e pouca ação. Talvez a direção da CBF tenha roubado da seleção até a vontade de ganhar uma copa do mundo (por que outras coisas já foram embora há muito). Nossos obe(li)s(c)os atacantes tinham a mobilidade equivalente a um elefante manco e velho da antiga Pérsia. Quanto ao técnico: desejo boa sorte para a África do Sul; talvez lá Parreira seja mais bem sucedidos em encaixar elefantes, girafas, antílopes e hienas no seu esquema tático.

Sanguessugas: É como o filme: Mensalão 2. O desfecho provavelmente será o mesmo. Todos almoçando numa pizzaria em Brasília com conta paga pelo gabinete.

Livros:
Alguns destaques:
Desvarios no Brooklin de Paul Auster. Um livro leve deste autor. Achei um pouco superficial para a genialidade de outras obras como Contos de Nova York. Ainda assim, uma boa leitura.
Baixo Astral de Alberto Fuguet. Excelente livro. Holden Caulfield trazido para a realidade da repressão latino-americana. Arrisca até ser melhor que o original.
Pêndulo de Foucault de Umberto Eco. Imaginem um Côdigo de da Vinci escrito por um dos maiores escritores do século XX. Uma leitura difícil mas reveladora.
O livreiro de Cabul de Seirstad (faltam alguns acentos). Uma leitura bastante interessante. Para quem já leu o Caçador de Pipas é bastante interessante ver uma realidade similar descrita por uma européia. Confesso que achei um pouco tendencioso e sexista.

Música:
Ou|vi pouca coisa nova e interessante nesses meses. Posso destacar o belo DVD do Los Hermanos, o novo CD do Keane e os novos de Marisa Monte (um deles é bem melhor que o outro).

Cinema: A dama da água (SIM!!!): Achei o filme muito bom e bastante interessante. Acho que o roteiro é meio nebuloso de início, valendo a pena assistir mais uma vez para assimilar a completude da história.
Casa no Lago: O filme surpreendeu. Não somente pela atuação convicente de Sandra Bullock como pela consistência do roteiro.
Zuzu Angel: Decepção. O filme esqueceu do simples: roteiro. Excesso de personagens sem nexo, um vazio artístico por parte de muitos atores e direção deficiente.

Enquanto isso aqui no Brasil, eleição é apenas uma outra 'bedtime story'. Acho que dessa vez a fadinha morre.

É isso.





Friday, June 09, 2006

Livro fantástico.






É muito difícil para mim durante o período de aulas ler coisas que não estejam relacionadas com matemática, computação ou engenharia.
Mês passado, enquanto procurava um livro de presente para presentear uma amiga no seu aniversário, tive a felicidade de encontrar um livro interessantíssimo que mais tarde iria descobrir discorrer sobre uma infinidade de coisas, do tectonismo que move tudo no mundo: das placas tectônicas até nossas mais complexas emoções.
De início confessor que não dei muita bola para aquele livro. Embora tivesse um título bastante sugestivo para mim "Filmes de minha Vida", era de um desconhecido para mim (um chileno chamado Alberto Fuguet), que conforme mencionava o verso do livreto era um crítico do realismo fantástico, este que era (e ainda é para mim) uma das mais relevantes vertentes da literatura contemporânea na qual estão meus autores favoritos(permito-me aqui realizar a minha taxonomia literária): José Saramago, Gabriel Gárcia Márquez, Mário Vargas-Llosa e Paul Auster.
Resolvi dar ao livro uma chance e li seus primeiros 5 capítulos, de pé na FNAC de Campinas. Confesso que fiquei impressionado com o que li: um verdadeiro ensaio sobre como as famílias e os indivíduos podem ser facilmente esfacelados por pequenos erros; e como uma ação tão corriqueira pode ter suas imagens relacionadas tão fortemente(ou fracamente) com nosso pequenho nicho.
Foi sem dúvida uma viagem por filmes que fizeram história lendo a história de duas (e mais algumas) famílias sul-americanas que tentaram a vida nos Estados Unidos.

Uma bela obra, caricatural e não caricatural, pessimista e otimista com apenas um aspecto linear: a beleza crescente da obra.

Deixo então minha sugestão - não sei ao certo se será fácil encontrar esse livro - mas uma procura apurada valerá à pena.

Afinal, é sempre bom convidar alguém para o cinema - um spoiler que não é spoiler...

Tuesday, June 06, 2006

Um microcosmo de sigla CN.






Gregório de Matos há muito tempo discorreu sobre partes do todo e o todo de cada parte.
O primeiro texto desse mesmissímo blog referia-se a necessidade de cada brasileiro exigir reformas em vários setores da nação: no contexto político, econômico, social e lá vai.
Tenho a mais absoluta certeza que o tal de MS(L)T não leu meu blog - hoje podemos chegar a conclusão de que os mesmos se encontram à beira de uma involução ao neólitico chegando um dia, quem sabe, ao paleolítico, o que me leva a crer que internet para eles só daqui a milhares de ano. Digo mais, esse mesmo movimento - na verdade aviltamento - não tem a menor perpectiva democrática. Pelo contrário, estão presos numa ideologia de barbárie, anti-democrática, com um menosprezo completo do que é lei, do que correto. Então para mim, estes devem, em vez de hectares, receberem um espaço 2x2 metros com barras simetricamente distanciadas. Alguns a conhecem como cadeia. Para animais, é uma jaula.
Na verdade, a invasão foi um encontro um tanto quanto inusitada. O encontro de uma barbárie física com a nossa barbárie principal intelectual, aquela que naquele primeiro post disse que precisa ter seu sentido e objetivos completamente revistos.
Vi na TV, perplexo, a mílicia avançar sobre os nossos congressitas - o mais interessante foi que a invasão motivou um pico de deputados no congresso, o suficiente até para fazer importantes votações e discussões. Será que ficaram com medo? Um devia está perguntado para o outro: "será que foi por causa da pseudo-prostituição de valores e conceitos que estamos fazendo aqui desde os 1900? o povo decidiu tirar as cuecas e nos mandar para a forcar. Vai ver que acabaram até os brioches." Outro talvez tivesse replicado: "Que nada! É só aumentar o repasse para o MS(L)T - coisa que aliás fizemos muito desde o início do governo Lula. Que, eles mesmos botam so pregos de volta." Um, em devaneio comenta: "Sei não... o problema é que agora nem dar para pegar meu vôo de volta para casa para as festas juninas. Pelo menos vou aparecer na TV". Resolvi suprimi aqui, pensamentos impensados que me ocorreram. Imagino que o presidente está em alguma cidadizinha do interior do Piauí colhendo os frutos do pão e circo idealizado por ele.
João Paulo Cunha, um dos pizzaiolos mais famosos do Brasil há três anos mandou a polícia descer a marreta em algumas pessoas que queriam invadir o congresso. Poucos se lembram.
O universo deve ser único, um todo. E certamente pode ser melhor entendito em suas partes.
No Brasil existe uma partição dele de sigla CN.
Hoje, acreditei mais do que nunca, que ela quer dizer coisa nenhuma.
Definitivamente, nosso congresso é um verdadeiro moinho de vento seco.
Era melhor esvaziá-lo e transformá-lo num Coliseu.
Pelo menos vira notícia

Monday, June 05, 2006

Um texto baseado em outro texto...

"Um dia alguém disse sim para outro alguém e nasceu o amor. Não sei se o amor nasceu de um sim para o outro de um não para si mesmo ou de uma simples troca de olhares. Só sei que o amor disse sim... E antes do sim não existia o não, existia o medo do sim, o temor do impossível. Sim. Não. Não e sim. Já disseram vários poetas que a poesia está para a prosa assim como o amor está para amizade (e não há de negar, blá blá blá...). Amar é atitude ativa, que vai do EU para o outro, assim é a poesia: passional, pouco denotada, velada na essência para o outro e fervente para o EU. A amizade é um sentimento baseado na passividade ... na necessidade estrita do outro para sua completude. Assim é a prosa. A poesia só para mim basta. Enquanto a prosa ... Do que seria dela sem alguém para lê-la.
É certo mais que incerto que tanto existe poesia velada na prosa como prosa velada na poesia. Assim, existem grandes amigos em pequenas paixões e imensa paixão em aparente amizada.

Só digo isso: não basta dizer a quem ama que a esta será dado todo seu amor naquele infinitésimo de momento, naquela fatia de horas e minutos. Para que? Quero no futuro ter ainda muito amor para dar a quem amo. Sim. Sim. Sim.

Existem versos reticentes, prolongados, sem fim. Deve existir, de alguma forma, de algum jeito, um infinito que pare. Mas que pare o mais longe possível quando se ama, se gosta. Por isso para que o desejo tenaz de um amor eterno? Se ele é para sempre e baseado no relacionado que é indissolúvel, será que quando ocorre o fim das partes o amor passado pára de existir? Será que quando uma das partes decide terminar o amor tido infinito e agora mais do que finito, obrigamos o outro a abrir mão daquele primeiro sim.

Não sei ao certo. Só sei que dei o sim e não estou com vontade alguma de dizer não. Dane-se os filósofos, morte aos físicos, deixo aqui infinitos 'sim'. Termino meu texto sem fechar as aspas. E só cabe a mim decidir quando pôr aqueles famigerados dois tracinhos.

***-***

Baseado num texto que escrevi há uns 3 anos e que perdi ...
Se alguém tiver uma cópia, me mande ...

***-***